segunda-feira, 23 de maio de 2011

Astecas: aspectos sociais, políticos e econômicos

A organização social e política da notável sociedade asteca estavam divididas, especialmente, em duas camadas sociais, nas quais se encontram os macehualtins (plebeus) e os pipiltins (nobres); isso espelhando-se no padrão hierárquico estabelecido na cidade de Aztlan, de acordo com o mito de origem desta mesma sociedade. 

Embora essa divisão hierárquica fosse bem evidente na sociedade asteca, isso só pôde se confirmar após a libertação de seus indivíduos do poderio de Azcapotzaco. 

Foi a partir de então que os pipitins ascender-se-iam socialmente perante os macehualtins, afirmando a sua soberania, uma vez que passariam a ocupar de fato as funções públicas e cargos governamentais e administrativos. Aliás, cabe ressaltar que há, ainda, um componente expressivo para o estabelecimento da organização social dos astecas: os calpulli.

Os calpullis caracterizavam as camadas mais baixas da sociedade, cuja soma de todos os indivíduos dos distintos calpullis constituía a camada social chamada de “macehualtins”. Os calpullis eram, assim, pequenos grupos de origem tribal que estavam vinculados entre si por algum grau de parentesco e que, além disso, possuíam terras cuja utilização era distribuída periodicamente entre os homens casados, como propriedade comum de seus membros. 

Ademais, os calpulli possuíam um chefe eleito, o Calpullec, o qual, acompanhado por um conselho, era responsável por dirigir o grupo e pela distribuição de terras. Nesse grupo social, o trabalho era socialmente dividido por gênero. Cabia aos homens dedicarem-se, deste modo, à pesca, à caça, à construção, ao artesanato e à agricultura; já as mulheres cumpriam funções direcionadas às tarefas domiciliares, como a preparação dos alimentos para o consumo, por exemplo.

Tendo em vista que as terras de um calpulli eram uma propriedade comum de seus membros, aqueles que não possuíssem nenhuma poderiam desenvolver o seu trabalho de cultivo nas terras dos pipiltins, caracterizando, com isso, um laço de “servidão”. Comumente, esses calpullis, que não tinham terras, eram chamados de “mayeques”.

Outro grupo social, além dos macehualtins e mayeques, que eram designados a trabalhos nas terras dos pipiltins, como mão de obra nas construções de obras públicas, eram os escravos, os quais eram adquiridos por meio de guerras e conquistas de tribos menores. Os escravos, na sociedade asteca, faziam parte de um estrato social denominado de “tlatlacotin”.

Todavia, além dos grupos sociais que constituíram o “povo”, isto é, as camadas sociais mais baixas da sociedade asteca, vale destacar que havia, também, distinções e, por assim dizer, subdivisões entre as camadas mais altas de tal sociedade. Assim, encontramos os tlazo-pipiltins (os indivíduos ilustres, pertencentes à camada mais nobres dos pipiltins, da qual inexoravelmente ascender-se-ia o “huey tlatoani”, o governante asteca); os pipiltins (membros ligados aos grupos dirigentes, eram senhores que ocupavam, geralmente, os cargos de comando do exército imperial, como, por exemplo, os geurreiros-jaguar); os cuauh-pilpitins (os nobres águias, que eram guerreiros que ascenderam-se socialmente devido a algum ato de bravura ou destaque militar); e, por fim, os tequiuaques (filhos das pessoas que apresentavam um papel de destaque na administração do império asteca).

No que tange economia asteca, podemos afirmar que ela não divergiu muito das outras sociedades mesoamericanas. A economia era pautada do sistema de coivara, e os produtos cultivados como o milho, o cacau, o feijão e a abóbora, eram comercializados e consumidos no mercado. Este que, aliás, de acordo com os escritos de Bernal Diaz del Castilho (apud MEGGERS, 1979, pág. 96-97), apresentava-se como sendo muito intenso, onde os burburinhos e os ruídos provenientes da praça central de Tenochtitlán poderiam ser ouvidos à léguas de distância. Além dos produtos oriundos da agricultura, encontravam-se também a comercialização de carnes, de artigos que consistiam em ouro, pratas, mantas, bem como a troca comercial tanto de escravos homens quanto de mulheres. O comércio asteca abarcava, portanto, diferentes espécies de bens.

Sendo assim, podemos inferir que a última e mais poderosa civilização mesoamericana que surgira a partir do final do século XIV, a Asteca, consistia-se numa sociedade de classes, de “castas”, na qual a ascensão e declínio social eram muito raros, sendo possível somente através de um destaque excepcional do indivíduo nos campos de batalha, militarmente.

No tocante à economia, tal sociedade era muito semelhante aos outros povos da Mesoamérica, ou seja, uma economia baseada, sobretudo, na agricultura.

Já na política, compreendemos que a figura do huey tlatoani não era concebida como uma entidade divina, e sim como um representante dos deuses. Assim, a escolha do governante asteca era realizada por um conselho, formado apenas por membros pertencentes aos tlazo-pipiltins, e não necessariamente por um vínculo consangüíneo. Nesse sentido, a sociedade asteca adquirir-se-ia um caráter republicano, e não teocrático.


Texto: Daniel N. Frias. 
Graduando em Licenciatura Plena em História pela CEUCLAR.

Bibliografia.

MEGGERS, Betty. América pré-histórica. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

PINHEIRO, Marcos Sorrilha. História da América I. (Caderno de Referência de Conteúdo – CEUCLAR, SP). 2011, pág. 124-142.

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